19 de fev de 2012

A primeira edição da Veja e Cristiano Mascaro/ DEDOC da Editora Abril.



"O ovo veio antes. Estourou na cabeça de um estudante. Depois vieram outras explosões, de coquetéis Molotov, bombas, rojões, mais tiros de revólver, para transformar um pedaço da Rua Maria Antônia, no centro de São Paulo, num campo de batalha... " Reportagem completa no link http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/capa_09101968.shtml

    Foto Cristiano Mascaro/ DEDOC

     Os textos longos evidenciam a formação jornalística consistente baseada em muita leitura e nos transportam como a literatura faz. Assim se fazia jornalismo nos anos 60 e 70 nas redações de Veja, Realidade, O Cruzeiro e outras boas publicações. Os textos estão longe dos herméticos encontrados hoje em dia nas páginas das revistas mensais e semanais de informação. É como tomar a água de coco Kerococo e depois a da fruta, 'credenciais' completamente distintas. Cristiano Mascaro estava em campo em 1968 pela Veja. A passagem pela redação durou 4 anos, foi até 1972 e cobriu política, rua e as artes antes de se dedicar a arquitetura. As fotos de Mascaro no fim dos anos 60 e início dos 70 publicadas aqui foram extraídas do DEDOC- Departamento de Documentação da Editora Abril-, o mais completo arquivo jornalístico do país].
Vendo esta primeira edição da Veja, igualmente interessante é a publicidade dos anos 60. Aos que tem menos que 30 anos, um exemplo de como alguns mercados se comportavam. A indústria de cigarros, por exemplo, deitava e rolava. As marcas Hollywood, Charm e Minister eram algumas das mais populares. Minister aparece na quarta capa desta edição de número um. "Gente que sabe o que quer fuma Minister" foi a campanha da Souza Cruz logo na sequência dessa que associava o tabaco sem nenhuma vergonha e pudor a sensualidade, a hábitos saudáveis, virilidade, esporte. Naquela época a importação de qualquer produto era proibida. Um bom scotch White Horse, clássico da época, só de contrabando e custava uma bala. Quem não era amigo do rei, nem uma coisa nem outra tinha que se virar com os 'made in Brazil' e marcas como Drurys, Old Lumquar, Natu Nobilis era o que havia disponível no mercado, o que aparecia nas páginas de publicidade das revistas. A moda era assunto para os costureiros Clodovil e Dener [a palavra estilista foi inventada mais tarde]. Eles eram as fontes dos jornalistas especializados, somente eles repercutiam se as mulheres iriam se se vestir a la ciganas ou não no verão 68/69, se o decote ia ser mais ousado, se o maiô 2 peças ia esquentar a areia em Copacabana. E a granfinada no eixo SP-Rio que queria estar na crista da onda corria atrás. Sempre bom rever de onde viemos.

Acesse o link para a primeira edição da Veja, 11/9/1968:  http://veja.abril.com.br/acervodigital/?edicao=1&pg=1.

    Caetano Veloso, final dos anos 60. Foto Cristiano Mascaro /DEDOC

                         Clodovil Hernandes, anos 70. Foto Cristiano Mascaro/ DEDOC

    Jorge Ben no festival da TV Tupi. Foto Cristiano Mascaro / DEDOC

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